Um lugar onde pode relaxar e conviver enquanto bebe e petisca algo. Parece simples pensar num espaço do género, mas a verdade é que quando alguém nos pede uma sugestão, perto de casa, nem sempre nos lembramos imediatamente de um nome. Pois bem, o centro de Cascais ganhou uma nova referência gastronómica com a abertura do Bodega Brava no início de 2025.
O projeto nasceu da parceria de três amigos cascalenses, todos com forte ligação à cultura espanhola. A ideia por detrás deste restaurante surgiu do desejo de criar um ambiente descontraído, ideal para relaxar ao fim do dia, com uma cerveja e boas tapas.
Esta casa que foi, durante 18 anos, um restaurante de cachorros-quentes, situa-se na Avenida Valbom e já desperta a curiosidade daqueles que por lá passam — seja pelo conceito aberto, ambiente divertido ou pela decoração do espaço. “Há pessoas que vieram à inauguração, não se conheciam e agora vêm juntas e bebem um copo connosco. Esse é o espírito que queremos proporcionar”, refere Cláudio Cartaxo, 34 anos, um dos responsáveis.
Henrique Rosa, chef responsável pela cozinha, acumulou experiência em Barcelona e até mesmo no renomado El Bulli, de Ferran Adrià. Além disso, estudou no Basque Culinary Center e passou por espaços de prestígio na Dinamarca, como o Noma e o Kadeau. Em território português, trabalhou no Sheraton Cascais e atuou como chef para a Sonae.
Henrique, de 34 anos, confidenciou à NiC a vontade de abrir algo só e exclusivamente com este conceito com João Vital, de 41 anos, que morou em Madrid e foi proprietário do Paradigma, e Cláudio, ex-responsável pela steakhouse La Lombonera, no Estoril.
Inspirados nas bodegas espanholas, quiseram oferecer um espaço democrático e acolhedor, onde boa bebida, boa comida e boa música, criam um clima perfeito para a socialização.
A cozinha da Bodega Brava funciona de terça a domingo, do meio-dia às 23 horas, e aposta em produtos de qualidade, muitos deles espanhóis, mas com espaço para iguarias portuguesas, como os queijos.
O menu traz clássicos da gastronomia ibérica, como pão com tomate (5€), boquerones em vinagre (12€) e batatas bravas (8€). Outras opções incluem famosa bomba de Barceloneta (5€), morcela de Burgos (8,50€), rabo de boi (15€) e os ovos rotos da casa (15€). Há também cortes à mão de presunto, lomo e chorizo (9€, 5€ e 4,50€ respetivamente) e uma tábua mista com diferentes queijos por 45€. No entanto, a carta pode (e vai) variar ao longo do tempo.
Para acompanhar, há cervejas e vinhos portugueses, que têm uma particularidade. Não servidos em copos de pé alto, mas num copo absolutamente normal que pode ver em qualquer casa portuguesa tradicional. ” Lembro-me de o meu avô a beber vinho à refeição neste tipo de copos e acho que faz todo o sentido implementá-los aqui”, conta o chef.

O Bodega Brava preserva elementos das tradicionais bodegas espanholas, como uma janela suspensa voltada para a esplanada, onde até 30 pessoas podem ficar de pé. No interior, há um balcão com vista direta para a cozinha aberta, permitindo total transparência, além de seis lugares ao balcão e oito na sala.
À New in Cascais, o chef Henrique assume que a responsabilidade é acrescida com este conceito porque “não dá para gritar nem para fugir. O cliente está sempre a ver o que confecionamos e obriga a que estejamos sempre confiantes a preparar os pratos”.
A decoração mistura tradição e modernidade, com objetos vintage e toques contemporâneos, mas com uma especificidade. Todos eles foram oferecidos por familiares, como diz Henrique. “Perguntámos aos avós, tios e primos se não tinham velharias em casas que não dessem uso para que reforçássemos o ambiente acolhedor que queríamos”.
E se estiver focado nos pormenores, não estranhe se vir algo torto: “provámos a qualidade das bebidas enquanto pregávamos as paredes, se é que me entendem”, revela Cláudio, em tom de brincadeira. Até ao verão, o espaço terá mais lugares e o segundo piso está a ser preparado para enriquecer ainda mais a experiência dos clientes.
A equipa da NiC passou por lá, para conhecer a novidade e provar algumas das tapas. Sugerimos que não perca a seleção de iguarias ibéricas, começando pelas “azeitonas, pesto catalão “picada” (3€), um clássico simples, mas repleto de nuances que lhe vão apurar o paladar.
Para os fãs de petiscos crocantes, os “croquetes de presunto ibérico” (2,50€) são uma verdadeira tentação, cremosos por dentro, envoltos numa camada dourada e estaladiça.
Para um toque de requinte, o veludo de cabra curado (5,50€) surpreende com a sua textura amanteigada e um sabor profundo. E, claro que não podia faltar o melhor do presunto e chorizo bellota 100 por cento ibérico, de sabor intenso, ideal para acompanhar com um bom vinho. Uma viagem de sabores que celebra a tradição e a excelência dos produtos ibéricos.
Os proprietários garantem que há surpresas para breve, mas não revelam para já. “Vamos ter uma parceria muito gira em Cascais, com casas daqui, com amigos que têm negócios aqui na área. Para já, ainda vamos guardar segredo”. Do que nos revelaram, tardes e noites de fado e música ao vivo são planos próximos para o futuro.
A Bodega Brava não se intitula como restaurante, não faz reservas, mas proporciona momentos únicos como Henrique tem sentido. “No sábado à noite, estava a cozinhar e em frente ao balcão, estava um grupo de 10 pessoas a dançar Julio Iglésias e foi mesmo divertido”, conta.
Carregue na galeria para ver algumas imagens da Bodega Brava.








