À beira da Estrada do Guincho, os cascalenses descobriram um pequeno viveiro natural de lagostas. Nos anos 40, era aqui que a população pescava marisco e o levava para casa. Essa afluência trouxe a necessidade de fazer nascer, mesmo ali, um restaurante que aproveitasse a matéria-prima valiosa. Ganhava forma o Furnas Lagosteiras, espaço que na década de 80 deu lugar às Furnas do Guincho, a marisqueira tradicional que faz parte da história da vila e que celebra, em março, 45 anos de existência.
O sonho das Furnas do Guincho começou com Alexandre Ramos. Nessa altura, Alexandre era proprietário de um bar em Cascais, mas o seu objetivo era abrir um restaurante. Depois de três anos nesse espaço, surgiu a oportunidade de adquirir o que era, na altura, as Furnas Lagosteiras e transformá-lo nas Furnas do Guincho.
“O meu pai conhecia bem esta zona e acreditava no potencial que este local mostrava. Esta oportunidade surgiu de forma natural. O antigo proprietário acabou por lhe fazer uma proposta e foi assim que tudo começou a 27 de fevereiro de 1981”, começa por contar o seu filho e atual responsável pelo restaurante, Miguel Ramos.
Apesar de as Furnas do Guincho terem nascido na década de 80, a história do restaurante leva-nos até aos anos 40. Este local era conhecido pelos cascalenses como um viveiro natural onde se podiam encontrar lagostas e, por vezes, até polvos. O problema? Ninguém sabia como preparar a matéria-prima. “Começaram a desafiar os pescadores a cozinhar. Foi assim montada uma barraquinha por cima das furnas, que nunca mais deixou de crescer e modernizar, e acabou por se tornar num dos restaurantes mais icónicos de Cascais.”
Miguel Ramos, de 32 anos, conta já com 15 anos de experiência no mundo da hotelaria e nem sempre foram passados ao lado do pai. “Os primeiros cinco anos queria explorar. As Furnas do Guincho sempre foram a minha vida, mas queria experimentar outros hotéis e realidades fora de Portugal.” No entanto, quando surgiu a oportunidade de assumir o espaço, Miguel não foi capaz de dizer que não. “É muito especial, cresci aqui e, por consequência, a maioria do staff viu-me crescer.”
À semelhança de todo o projeto, o próprio nome nasceu de forma natural. “Tudo começou com as Furnas Lagosteiras e a razão era simples: por baixo do estacionamento do restaurante tínhamos uma pequena gruta com um acesso. Era aqui que as pessoas podiam vir e escolher a sua própria lagosta.” No entanto, quando o acesso foi fechado e o espaço chegou às mãos de Alexandre, nasceram as Furnas do Guincho.
“A ideia sempre foi apenas uma, ser uma marisqueira tradicional portuguesa. Nem mais nem menos do que isso. Queremos ser um espaço familiar, que todos já conhecem e sabem o que esperar, bem como acessível a qualquer pessoa, nem que seja apenas em ocasiões especiais.”

Quando tudo começou, a zona do Guincho era totalmente isolada e havia apenas algumas quintas à sua volta. Por já ser uma casa com 45 anos de história, o restaurante sofreu algumas obras e mudanças ao longo dos anos. “As grandes obras foram feitas em 2007 e 2008. No entanto, todos os anos tentamos fazer pequenas remodelações. Estamos abertos quase todos os dias do ano e vai-se desgastando.”
Mas se o restaurante muda de aparência com o tempo, há algo que se mantém inalterado: o menu. O responsável por este departamento é o chef José Pires, que conta com mais de 25 anos de casa. “Procuramos que todos os pratos, desde o começo, sejam o mais uniformes possíveis. A única forma que torna isso possível é a organização e metodologia.”
Miguel confessa, contudo, que o segredo das mais de quatro décadas de funcionamento são “as pessoas”. “Lideramos pelo exemplo e na restauração é preciso ter presença. A maioria do staff está connosco há muitos anos e, por isso, acaba por ser mais do que apenas um trabalho.” Depois, claro, destaca-se o marisco e peixe de qualidade, que procura ser sempre o mais local possível.
“Somos uma marisqueira clássica. Os pratos podem até evoluir, mas raramente alteramos a carta. A maioria dos nossos clientes já nos conhecem e sabem exatamente o que esperar e que aqui o podem encontrar.”
Entre os favoritos estão os peixes grelhados que chegam ao restaurante todas as manhãs, a paelha (duas pessoas 82€), açorda de lagosta (37€), parrilhada de marisco (duas pessoas 99€), arroz de marisco (duas pessoas 82€), caril de marisco (28,5€) e os filetes de pescada (23,5€).
No entanto, há também algumas opções de carne. Bife à Casa (31€), filet mignon (32€) ou tonedó à chefe (33€). Nas sobremesas há gelados Santini por 4,95€ cada bola, merengue de limão (8€), queijada de Sintra (8€) e encharcada (8€).
Apesar de estarem a celebrar 45 anos de existência durante o mês de março, não haverá eventos para assinalar a data. “Somos uma família low profile que prefere marcar presença aquilo que sabemos fazer de melhor: servir.”
Carregue na galeria para conhecer melhor as Furnas do Guincho.

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