No final do verão, o impensável aconteceu. Miguel Lourenço foi sobressaltado com as notícias de um incêndio na sua Casa das Bifanas, que viriam a descobrir mais tarde que teve mão criminosa. “Ficou tudo derretido devido ao calor”, recorda Miguel Lourenço, gerente da casa que abriu portas em Cascais em 2018. “Tínhamos clientes que estavam à nossa espera à porta, todos os dias. Tivemos que nos reconstruir.” E foi o que fizeram. Depois de um período difícil, as bifanas voltaram a chegar ao balcão a 19 de março.
A casa nasceu pelas mãos de Manuel Gomes, responsável por outros espaços no concelho, como a Duquesa da Estação e o Mister Padeiro. Apesar de ter fechado alguns negócios ao longo dos anos, nunca deixou de se reinventar, mesmo com 74 anos. “Há muito que queria trazer a Cascais uma casa tradicional e que fosse inspirada nas tascas lisboetas”, conta o gerente de 43 anos, que se juntou ao projeto alguns meses após a inauguração.
“O Manuel era amigo do meu pai, ambos cresceram na aldeia de Covas, em Vila Nova de Cerveira e conheciam-se desde miúdos”, conta. O pai deixou o interior nos anos 70 para viver em Cascais, onde ficou. “Ele trabalhou no Rei dos Frangos e que ficava mesmo ao lado do restaurante do senhor Manuel. Até abriu o seu próprio espaço, a Braseira.”
O pai acabaria por falecer em 2011 e o negócio encerrou em 2012, após várias tentativas da família para o manter. “Trabalhei sempre com ele, mas nesse momento tive de procurar outra alternativa.” Esse novo percurso durou cerca de sete anos, até voltar a cruzar-se com Manuel Gomes. “Ainda não sei bem como aconteceu, mas o senhor Manuel arranjou o meu contacto. Até então, não nos conhecíamos, mas ele contou que era amigo do meu pai e ofereceu-me emprego na Casa das Bifanas. Estava desconfiado, mas fui.” Desde 2019 que se tornou gerente e braço direito do fundador.
Apesar da experiência acumulada na restauração, esta foi a primeira vez que Miguel Lourenço trabalhou na cozinha. “Aprendi a cozinhar com a minha mãe, numa altura em que era comum levar os filhos para a cozinha para aprenderem as receitas da família. Mas nunca o tinha feito de forma profissional.” Desde então, tudo o que sai da cozinha passa pelas suas mãos.

A Casa das Bifanas é uma casa tradicionalmente portuguesa, como “pouco se vê por Cascais.” No menu há feijoadas, dobradas, iscas e petiscos no pão, como pregos (6€) e as clássicas bifanas (4,5€). “Chegamos a fazer mais de 100 bifanas num só dia.” Os pratos não ultrapassam os 10€ e tudo pode ser levado em take-away.
Miguel explica que há vários segredos para uma boa bifana, começando na frigideira. “A carne é temperada entre um a dois dias e a isso acresce o sabor da gordura que é colocada. Neste caso, usamos uma mistura de óleo e banha, que dá um toque diferente. Muitas vezes até pedem apenas o molho no pão.” Outro fator essencial é, naturalmente, o pão caseiro. “Aqui cozemos pão várias vezes ao dia e acaba por estar sempre fresco.”
O percurso bem-sucedido esbarrou no incêndio inesperado. “Havia por aqui um sem-abrigo que estava sempre a arranjar problemas, mas nunca o servimos nem tínhamos qualquer problema com ele. Mas ateou fogo à nossa esplanada”, recorda.
As chamas alastraram rapidamente e atingiram as bilhas de gás, ainda cheias. “Derreteu o vidro e tudo o que estava lá dentro. O calor que se fez ali dentro foi mesmo de outro mundo.”
Viriam a descobrir o autor do crime poucos dias depois, quando o autor provocou outro incêndio, desta vez no Crows. “Eles tinham vídeo-vigilância e a polícia deteve-o. Ele acabou por admitir que também tinha provocado o nosso incêndio.” Os prejuízos esperam superar os 20 mil euros.
Oito meses depois, a Casa das Bifanas regressou com a mesma ideia. “É um fast-food, no sentido em que os pratos chegam à mesa em menos de 10 minutos, com propostas portuguesas feitas da forma mais tradicional portuguesa”, reafirma.
Carregue na galeria para conhecer a Casa das Bifanas em Cascais.

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