Uma das grandes estrelas da cozinha tradicional baiana é o acarajé, um pequeno bolo consistente de massa de feijão-frade, acompanhado por vatapá (um creme feito à base de pão húmido, castanha-de-caju, amendoim e leite de coco), caruru (cozido de quiabos) e, por fim, salada de tomate. Esta é uma das especialidades que poderá encontrar na Dona Ana Baiana, o novo restaurante que abriu a 17 de janeiro nas Galerias do Estoril e que promete tornar-se a casa de comida tradicional baiana em Cascais.
Para Ana Coelho, a cozinha sempre foi um destino inevitável. Desde miúda que a brasileira cresceu entre os cozinhados tradicionais da sua avó e, consequentemente, também da mãe. “Nunca senti que tinha aquele dom para a cozinha, mas sinto que algo mudou quando casei e passei a ter uma casa e família”, começa por contar a proprietária de 49 anos.
Depois do casamento, as filhas começaram a surgir e a cozinha passou a ocupar cada vez mais espaço na sua vida. Até que também se tornou o seu negócio. “Tive uma pequena banca de acarajé em São Paulo junto a uma bomba de gasolina e realmente estava a correr muito bem”, salienta. Esse sonho foi interrompido com a vinda do marido para Portugal.
“Uma oferta de emprego trouxe-nos até aqui. Não ia ficar sozinha em São Paulo com duas filhas, então vim com ele.” A decisão aconteceu há cerca de 14 anos e, em apenas seis meses, Ana decidiu que queria ficar em Cascais. “A segurança é um fator muito importante. Aqui, podemos andar com o telemóvel na rua e sem ter medo de ser apontada uma arma à cabeça”.
Já em Cascais, Ana abriu o primeiro negócio em 2019 no Mercado da Vila de Cascais. “Anteriormente o espaço era uma tasca portuguesa e por isso tive de me adaptar e misturar os dois conceitos”, começa por contar. “Cheguei a um ponto em que precisava de abrandar, por isso decidi mudar de morada para um espaço mais pequeno e acolhedor, que conseguisse cumprir a premissa que sempre quis: comida tradicional baiana.”
O restaurante tem cerca de 40 metros quadrados e conta com 16 lugares no interior, onde se servem refeições para qualquer hora do dia, desde o pequeno-almoço ao jantar. “Se quiser almoçar às 10 horas, servimos almoço. Não há regras.”
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Todas as receitas, dos pratos principais aos bolos, são feitas pelas mãos de Ana Coelho. No entanto, todas as técnicas de cozinha e o aperfeiçoamento dos pratos foram feitos com ajuda de um chefe brasileiro, Josenilton Santos.
A nível de ingredientes, a Dona Ana Baiana tenta apostar o mais possível em produtos locais, sempre que isso é possível. “Temos a sorte que a comida baiana é uma mistura da cultura portuguesa, africana e indígena, o que torna este processo mais fácil.”
No menu pode encontrar o melhor da cultura baiana. Nas entradas há queijo coalho com melaço de cana (9€), cuscuz (7€), coxinha de frango (2€) ou quibe de carne (2€).
A grande especialidade da casa é o acarajé com e sem camarão, sempre servido com vatapá (um creme feito à base de pão húmido, castanha-de-caju, amendoim e leite de coco), caruru (cozido de quiabos) e salada de tomate (12€). O prato é servido apenas aos sábados. Além disso, há sempre pratos do dia disponíveis para experimentar, como a moqueca de banana (12€) e a quiabada (12€), um guisado tradicional que mistura quiabos, carne e linguiça.
A nível de sobremesas, há brigadeiro (1,5€), amendoim torrado (1,5€), bolo de milho (3€), bolo de tapioca (3,5€), doce de banana (4€) e pudim (4€).
A dinamização é um dos pontos fortes do espaço e, sempre que possível, há música ao vivo. Por enquanto, a atuação acontece todos os sábados a partir das 13 horas, mas na primavera este horário poderá alargar.
Carregue na galeria para conhecer o novo espaço Dona Ana Baiana, no Estoril.

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