Esqueça fronteiras e mapas. No novo restaurante de Cascais, a viagem faz-se à mesa. O Solta abriu a 5 de abril e propõe um encontro entre cozinhas de leste, israelita e mediterrânica, uma história que começa e acaba em Ana Kobrinskay, ucraniana que viveu os primeiros anos no país, mas que acabaria por se mudar para o Médio Oriente.
“Em busca de uma melhor qualidade de vida, a minha família mudou-se para Israel e foi aí onde vivi quase toda a minha vida”, conta a arquiteta de 42 anos. De origem judaica, encontrou em Israel maior aceitação religiosa e cultural. “Tornei-me arquiteta, que era uma das minhas grandes paixões, e comecei a crescer na área e a aceitar vários trabalhos na Europa.”
Foi num desses projetos, em Itália, que conheceu o marido, Konstantin Diver, de 36 anos. “Nunca mais nos separamos e já estamos juntos há oito anos. Durante esse tempo dividíamos muito o nosso tempo entre Israel e viagens por outros países.” Os acontecimentos do 7 de outubro de 2024 e o ataque a Gaza destabilizaram a região e Ana decidiu fugir do perigo. “Só quando fiquei grávida é que comecei a pensar na possibilidade de morarmos noutro país.” Em novembro de 2025, o casal chegou a Portugal à procura de um lugar tranquilo para criar família. “Queríamos um país tolerante com culturas semelhantes, mas também onde pudéssemos partilhar um pouco da nossa.”
Antes da mudança, nunca tinham estado em Portugal nem em Cascais. “Pensámos em Lisboa, mas achei que seria demasiado movimento. Queria um local calmo, junto à natureza e bom para o bebé. Além disso, tinha de estar perto do mar. Sempre vivi junto às praias.”
Nessa altura já tinham a ideia de abrir um restaurante. “Somos os dois arquitetos de design de interiores e queríamos um projeto de paixão que refletisse um pouco da nossa alma.” O espaço foi encontrado com a ajuda da assistente de Ana. “A assistente ia-me enviando vídeos para que pudesse acompanhar o processo à distância. Quando me mostrou aquele espaço, sabia que tinha de ser ali. Apaixonei-me.”
Assim nasceu o Solta, um projeto pensado desde agosto de 2025, mas concretizado agora. “Queríamos criar um espaço familiar, acolhedor para os miúdos e com todas as refeições do dia, do pequeno-almoço ao jantar.” O objetivo sempre foi partilhar influências do oriente e de leste com o público português.
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Ana acredita que o Solta é um espaço para qualquer hora do dia e tem planos para alargar a abertura até às duas da manhã. “Queremos ser um espaço onde as pessoas venham e comam o que quiserem a qualquer hora do dia. É algo enraizado na nossa cultura.”
“Por estarmos tanto tempo na Europa, em trabalho, já sabíamos o que podíamos esperar em termos de gastronomia e cultura e daí pensarmos em criar algo mais fluido.” O nome nasceu precisamente dessa ideia: “Procurávamos uma palavra portuguesa que significasse algo simples e descontraído e foi aí que encontrámos o Solta”.
Em termos de decoração, Ana quis aproximar o espaço de uma casa tradicional. “O ponto crucial são as paredes de pedra, algo único em Cascais, e quisemos mantê-las o mais natural possível.” O espaço inclui apontamentos de mármore e várias plantas para criar “um pequeno jardim mágico”.
O menu segue a mesma lógica e foi desenvolvido pelo chef Dmitrii Lavlinskii, nome conhecido na Rússia, apesar do foco nos ingredientes locais, bem portugueses. “Queríamos alguém que percebesse exatamente o que pretendíamos.” Há opções de pequeno-almoço, hambúrguer, saladas, marisco, peixe e carne. “Em Israel a gastronomia é mais mediterrânea, a diferença está no tempero. Também se baseia muito nos grelhados.” Há ainda referências à cozinha de leste.
Entre os destaques está o Wagyu Dry Aged (25€), com sabor intenso e textura macia, resultado do processo de maturação a seco. “Caso não goste de carne, e mais ligado à cultura israelita podem optar pelo robalo grelhado (17€) com espargos.” O prato inclui também brócolos grelhados e molho à provençal, com azeite, alho e ervas aromáticas como tomilho, alecrim e salsa.
Na vertente de leste, há o bolo napoleon (9,5€), conhecido em Portugal como mil-folhas, com camadas de massa folhada e creme. O restante menu reúne várias influências mediterrânicas. Pode pedir tábuas de queijos (12,5€), batatas fritas com molho de trufa e parmesão (7€) ou sopa de camarão com leite de coco (10,5€). Nos pratos principais destacam-se o bacalhau com puré de batata (17,5€) e o polvo à lagareiro (20,5€).
Para o pequeno-almoço, há opções como ovos benedict (13€) e croissants com diferentes recheios (12€ a 14€), incluindo salmão fumado, guacamole e vários tipos de queijo.
Ana destaca também o serviço, que pretende que esteja ao nível da elevada exigência esperada. “As pessoas da nossa cultura são muito exigentes e queremos estar à altura”, explica.
Carregue na galeria para conhecer o novo restaurante Solta em Cascais.








