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Este restaurante na Parede junta marisco e uma viagem história à época dos Descobrimentos

O Bérrio inspira-se nos Descobrimentos portugueses e apesar de já funcionar desde 2011, ainda é um "tesouro por descobrir" no concelho.

Na Parede, há um restaurante que o quer levar diretamente para a época dos Descobrimentos, sem sair da mesa. Chama-se Bérrio e mistura pratos de mar com uma decoração cheia de referências históricas, das cerâmicas aos retratos que ocupam as paredes. O projeto nasceu em 2011 pelas mãos de António Santos Tavares, que ainda hoje acredita que este é um “tesouro por descobrir.”

António Santos Tavares nunca pensou que a restauração viesse a fazer parte da sua vida. Tudo começou quando regressou à sua aldeia, no distrito da Guarda, ao fim de dois penosos anos a combater na Guiné-Bissau. “Os meus pais eram agricultores e pediram-me que os ajudasse durante um ano até regressar a Lisboa, que era o que queria fazer”, começa por contar o responsável, hoje com 83 anos.

E assim foi. Em 1967, António mudou-se para Paço de Arcos, onde construiu a sua carreira, primeiro na Carris, passando por vários cargos, incluindo o de motorista, depois em empresas multinacionais, até chegar ao setor bancário. “Saí da aldeia com o quarto ano de escolaridade, mas queria aprender e saber mais. Ao longo dos anos fui tendo aulas à noite, depois do trabalho e acabei formado em Economia no ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão.”

“A minha mulher vinha de uma aldeia em Vila Nova de Foz Côa e sempre trabalhou numa pequena mercearia local, que vendia um pouco de tudo. Era dos pais e o gosto pelo comércio ficou.” Entretanto, tiveram dois filhos aos 28 anos, o que levou a que a mulher ficasse alguns anos em casa. “Não descansou até que lhe arranjasse um negócio e assim o fiz.”

Pouco depois do 25 de abril, António e a mulher, Maria Alcina, abriram a primeira mercearia, à qual se seguiu um supermercado. “Foi um verdadeiro sucesso. Fomos pioneiros neste tipo de serviço em maior escala e, como já tinha conhecimentos na área, sabia que precisava de um modelo rentável.”

Entre vários projetos, em 1994 nasceu o Queques da Linha, em Paço de Arcos, hoje um ponto de referência em Oeiras que continua a resistir ao tempo. Como o nome indica, a especialidade são os queques, com mais de 40 sabores, de kiwi a maçã, caramelo ou nozes. Foi também neste espaço que se introduziu, pela primeira vez, o pagamento com cartão – conheça a história completa deste espaço oeirense nesta reportagem da New in Oeiras.

Apesar de todos estes negócios, a ideia de abrir um restaurante esteve sempre presente. O primeiro surgiu em Paço de Arcos. “O Fornos do Padeiro nasceu porque queria trazer para a cidade os sabores que me acompanharam toda a vida, com produções locais e com o melhor que a terra tem para oferecer.” Faltava ainda concretizar outro desejo: ter um restaurante junto ao mar. Assim nasceu o Bérrio, em 2011.

restaurante
O proprietário de 83 anos

“Este local estava abandonado há alguns anos. Era um restaurante rudimentar, feito de madeira, com um pequeno assador onde se preparava o peixe dos pescadores locais.” Mais tarde, o espaço foi adquirido e totalmente renovado por António Santos Tavares.

O nome não foi escolhido ao acaso e remete para a época dos Descobrimentos. “Este era chamado o Alto da Pedra e foi o primeiro lugar onde chegou a frota de Vasco da Gama, com a caravela Bérrio.” Era uma das naus que partiu de Lisboa rumo à Índia e funcionava como apoio logístico da viagem. “Na altura, o irmão de Vasco da Gama ficou doente e houve uma paragem nos Açores, onde acabou por morrer, mas a caravela Bérrio seguiu viagem para dar notícias ao rei”, explica.

Mas não é só esta história que marca a Praia da Parede. Em 2017, foram descobertas pegadas de dinossauros com cerca de 100 milhões de anos, mais tarde assinaladas com um mural, em 2024. “Este é um local muito especial e cheio de história.”

Toda a estrutura exterior faz lembrar uma nau e a decoração foi pensada ao detalhe, com um quadro que representa a passagem das naus portuguesas no Cabo das Tormentas, além de elementos de navegação como rosas dos ventos e lemes. “Também o menu segue essa linha, com foco no peixe e nas especiarias que os portugueses trouxeram.”

O espaço tem 700 metros quadrados e capacidade para 170 a 200 pessoas, sendo frequentemente escolhido para eventos como casamentos ou batizados. Ainda assim, há quem nunca tenha ouvido falar do restaurante. “Ainda esta semana esteve aqui um casal que mora na Parede há 50 anos e disse que não nos conhecia. Continua a ser um tesouro por descobrir.”

A carta acompanha o conceito, com propostas tradicionais. No marisco, há camarão à guilho (16,9€), lapas dos Açores à madeirense (17,8€), lingueirão à Bulhão Pato (16,9€), casto de sapateira (14,5€), arroz malandro de lingueirão (19,9€), risotto de marisco (22,9€) ou arroz de lavagante (68,5€).

Nos pratos de peixe, destacam-se o salmão chapeado com batata doce (22,5€), o lombo de bacalhau à lagareiro (22,9€), o polvo à Adamastor (23,9€) ou a espetada de tamboril com gambas e abacaxi (23,7€). Já nas carnes, há lombinho de reco enrolado em bacon crocante (19,9€), bife da vazia à Bérrio (20,5€) e bife do lombo à Bérrio (26€).

Para terminar, nas sobremesas, pode escolher entre nuvens do Olimpo, farófias com leite creme (5,5€), velho de Belém, um gelado de pastel de nata em massa folhada (7,3€), tarte dos deuses, de limão com gelado de baunilha (7,5€), ou o crepe do palácio de Neptuno, com gelado de requeijão, abóbora, nozes e chocolate quente (7,5€).

Carregue na galeria para conhecer o restaurante junto à praia da Parede. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Marginal
    2775-364 Parede
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h30
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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