comida
ROCKWATTLET'S ROCK

comida

Estoril Mandarim: fomos provar o famoso Pato à Pequim com vista para o mar

O restaurante foi renovado recentemente, integrado no Casino Estoril. A Crítica Mistério da NiT já passou por lá.

Aviso já que este não é um restaurante chinês para salvar uma refeição à última hora no trabalho ou porque alguém se esqueceu de reservar mesa no almoço de família. Até porque, apesar de o Estoril Mandarim não ser propriamente uma opção sofisticada, é uma versão mais aprumada dos restaurantes deste género — pelo menos no nível de exigência dos portugueses.

Tudo começa na morada, que é improvável. Inserido dentro do Casino Estoril, a esplanada está virada para o vasto jardim que se estende até ao mar, com os barcos ao fundo. No verão, é a solução ideal para aproveitar o bom tempo. No inverno, também — até porque, entretanto, tudo se forra com paredes em vidro.

Design de interiores à parte, eu vim aqui para comer especificamente um prato de que me falaram várias vezes ao longo dos anos: o famoso pato assado à Pequim. Esqueça tudo aquilo que sabe sobre esta receita. Aqui, no Mandarim, que tem por base a gastronomia cantonesa, este prato é uma verdadeira experiência.

O pato chega à mesa por inteiro, já cozinhado, claro, num carrinho conduzido por um dos funcionários. Depois, assistimos ao vivo a toda a preparação. Primeiro, o empregado corta a pele do pato em fatias finas, para serem servidas em conjunto com os crepes, o famoso molho, aipo e pepino. No final, cabe-nos a nós montar o resto do prato, carregados de texturas e aromas diferentes.

O molho grosso, doce e intenso combina na perfeição com a pele tostada e os vegetais. Os crepes são também diferentes de qualquer um que já tenha provado noutro restaurante chinês — talvez caseiros?

Mas o pato não se fica por aqui. Enquanto nos entretemos a compor crepes mais ou menos perfeitos, o pato regressou à cozinha para preparar a carne do animal. Ou seja: ainda vem aí o prato principal.

A versão clássico é aquele Pato à Pequim “normal”: cortado em pequenos pedaços, acompanhado por folhas de alface. Porém, felizmente, optei pela versão salteada em molho agridoce com ananás e gengibre. Se gosta, como eu, de um simples porco agridoce, prepare-se para entrar num admirável mundo novo.

Esta experiência custa 60€, um valor mais barato do que acontece, por exemplo, no recente inaugurado LX Mandarim, no Casino Lisboa. Até porque, no caso do restaurante do Parque das Nações, em Lisboa, o pato é confecionado das duas formas, para não deixar os clientes com dúvidas existenciais. O que importa é as cartas dos dois espaços passaram para as mãos do novo chef Ku Yan, que agarrou no projeto este ano. E isso, como ser percebe, foi uma ótima decisão.

Para acompanhar o Pato à Pequim pedimos uma dose grande do incontornável arroz xau-xau, com pequenos camarões e ninho crocante. Tudo junto, é um prato curto para quatro pessoas, ideal para três e grande para duas. Por isso, recomendo que façam como eu e peçam um reforço nas entradas, sobretudo de dim sums. 

Os bolinhos de gambas com ovas de caranguejo (8€ por quatro unidades) foram realmente surpreendentes. As texturas e aromas intensos fizeram a diferença em relação às outras opções. O chu-cheong-fan com gambas e espargos é semelhante a um crepe, mas de farinha de arroz, com uma textura mais mole, o que o torna menos interessante nessa vertente. Já os há-kau de gambas e fungos brancos acabaram mesmo por ser resumidos a um crepe em formato de bola com gamba no interior. Não repetiria este último, visto que o fascínio pela ideia dos fungos desapareceu por completo naquele mini prato.

O serviço é competente, sem aquela conversa exagerada e aborrecida dos empregados. Neste caso, e bem, limitam-se a explicar os pratos e a tirar as dúvidas sobre esta ou aquela receita. Porém, aparentemente, o staff também faz parte desta nova moda irritante que tomou conta da restauração: o constante refill de vinho no copo, calcando o que não devia ser calcado, como se quisessem apressar o consumo de uma garrafa para vender outra logo depois.

No final, com um Pato à Pequim, vários dim sums e duas garrafas de vinho terminadas, ficou registada a boa experiência de um almoço tranquilo que custou 40€ por pessoa.

A esplanada com vista desafogada.
Prémios New in

ARTIGOS RECOMENDADOS