As fogueiras estão alinhadas, os produtos escolhidos e os instrumentos afinados. O Chefs on Fire arranca este sábado, 20 de setembro, com uma edição apresentada como “a versão 2.0”. O evento decorre até domingo, 21, no parque Marechal Carmona, em Cascais. As portas abrem ao meio-dia e fecham apenas à meia-noite, num programa que promete gastronomia, música e novas experiências.
Ao longo de dois dias, o festival junta alguns dos mais reconhecidos chefs nacionais, incluindo nomes com estrelas Michelin, que prepararam pratos inéditos para este encontro. Todos partem da mesma premissa: cozinhar com fogo, fumo e lenha. A edição de 2024 marca também a estreia de novas áreas e atividades pensadas durante o último ano e meio.
“Estamos na versão 2.0 dos Chefs on Fire. Tivemos a preparar uma revolução e, além de um local diferente, cinco vezes maior, vamos ter mais chefs e pontos de comida. Conseguimos ter acesso à praia e trouxemos novas experiências, desde a escola de fogo, à fotografia”, explica à NiT Gonçalo Castel-Branco, responsável pelo evento
A mudança para o parque Marechal Carmona substitui a antiga FIARTIL no Estoril. “Adorava a intimidade da FIARTIL e acho que vai deixar saudades, mas faltava uma coisa lá: relva. Há quem goste de dormir uma sesta depois de comer e mesmo para os miúdos pode ser interessante. Este espaço, além de muito maior para responder à procura crescente, permite-nos isso”, acrescenta.
Entre as novidades está a Escola de Fogo com o chef Alexandre Silva, workshops de fotografia de comida e experiências exclusivas. Em cada dia, 24 pessoas poderão embarcar num passeio até ao Palacete do Conde Castro Guimarães, na praia de Santa Marta, para um jantar fine dining preparado no fogo. Para quem ficar em terra, a praia estará aberta para mergulhos entre petiscos.
Este ano haverá também palcos internacionais, com chefs convidados do Japão, Geórgia e Madrid. No sábado, 20, o palco Japão recebe Tetsu Yoshida, do restaurante Origin, em Osaka, detentor de uma estrela Michelin. Irá servir um prato de atum grelhado com feijão-branco e pimento vermelho. No palco da Geórgia estará Guram Baghdoshvili, do restaurante Karater, em Lisboa, e no de Madrid, Niño Redruello, dos Fislumer.
No domingo, 21, o palco Japão será liderado por Kosuke Saito, do restaurante Sushi Kosuke, em Lisboa, que vai apresentar uma tosta de brioche com tártaro de atum fumado e molho miso branco. O palco da Geórgia fica com Davit Narimanishvili, do Nunuka e Persimmons, e o de Madrid com Álvaro Castellanos e Iván Morales, do Arzábal.
Cada área do festival tem curadores próprios: Vânia Rodrigues, do Projecto Matéria, na secção Arts&Crafts; Paulo Amado, do Congresso de Cozinha, nas Fire Talks; e Arlindo Camacho na Fotografia.
O que se vai comer?
No primeiro dia, os sabores começam com fortes propostas de carne. Óscar Geadas, do G Pousada, aposta em lombinhos de porco servidos com estufadinho de castanhas e cogumelos; João Correia, do Rossio Gastrobar, traz porco assado com molho de iogurte e parata; e Francesco Ogliari, do Tua Madre, apresenta uma salsicha de borrego acompanhada por cavatelli de pão e grão-de-bico.
Hugo Candeias, do Ofício, prefere apostar no conforto de uma batata recheada com costela de vaca, enquanto Kiko Martins, do restaurante O Talho, leva ao fogo uma baguette recheada de entremeada de porco preto, fígados de aves, pickles de cenoura e pepino e maionese. Já Massimiliano delle Vedove, do Smoked Room, arrisca uma combinação inesperada: arroz de presa ibérica com mexilhões na brasa e ’nduja.
No peixe, Diogo Caetano, do Terruja, vai surpreender com uma irreverente bola de Berlim recheada de pregado, pak choi e wasabi; Mónica Gomes, do Olaias, apresenta arroz do Baixo Mondego com robalo e um molho de berbigão fumado com limão; e Filipe Rodrigues, da Taberna do Mar, propõe atum grelhado com manteiga de soja e arroz de sushi.
Ana Moura, do Lamela’s, aposta no peixe-porco servido com corações de alface, pimentos assados e pickles de cebola roxa; enquanto Nikita Polido, do Celmar, cria um prato de choco acompanhado por salada de abacaxi e tempura de couve-flor.
Os vegetarianos também não ficam de fora. José Neves, do O Ciclo, leva ao fogo batata-doce com alho-francês, codium e caril verde; Nelson Soares, do Sult, apresenta cogumelos grelhados com fonduta de queijo; e Nuno Castro, do Fava Tonka, aposta numa tortilha de batata com azeitona, jalapeño e XO. Para terminar, as sobremesas do primeiro dia trazem o toque doce de Juliana Penteado, com uma tarte de abacaxi com verbena, e de Sara Soares, do Caos Vegetal, que junta bolo de milho com malagueta, mousse de lima, milho assado, pipocas e crocante de malagueta.
No segundo dia, a festa continua com pratos igualmente criativos. Na carne, Carlos Teixeira, da Herdade do Esporão, apresenta uns curiosos “frangos do Além” servidos com arroz tostado; Ana Leão, do Babel, aposta num pita burger de borrego; e Rodolfo Lavrador, do Cura, cria um prato de porco preto de coentrada com ostra e batata-doce grelhada. Fernando Cardoso, do Grupo Monda, vai preparar coelho grelhado com molho pitau; Hari Chapagain, do Oven, traz costeletas de borrego com molho de tomate e sésamo; e Juan D’Ónofrio, do Chispa, junta moleja na brasa com anchova de Santoña, regada em oloroso e beurre blanc de Jerez.
No peixe, Rui Paula e Catarina Correia, da Casa de Chá da Boa Nova, servem uma sanduíche de lula dos Açores; David Barata, do Austa, prepara atum albacora com mole verde e amendoim do Rogil; e André Cruz, do Feitoria, apresenta camarão alistado com grãozada. Noélia Jerónimo, do restaurante Noélia, aposta num xerém de tomate com barriga de atum da armação algarvia, e Arnaldo Azevedo, do Vila Foz, cria uma feijoada de polvo com enchidos.
Entre as opções vegetarianas, Diogo Formiga, do Encanto, serve cuscos transmontanos com algas, pinheiro, cogumelos e coentros; Nuno Mendes, do Locke, prepara um taco de grão-de-bico com estufado de nozes, couve-flor grelhada e pickles caseiros; e António Galapito, do Prado, apresenta uma combinação fresca de tomate, melancia e ervas. As sobremesas ficam a cargo de Fábio Quiraz, do Vista, que propõe sagu de coco com queijo coalho e shiso, e de Américo dos Santos, do Belcanto, que transforma a tradicional bola de Berlim numa versão na brasa com molho de cabidela.
Cada evento e cada dia tem vários pontos de comida. Caso esgote o seu plafond e queira repetir ou provar outros pratos, pode sempre recarregar o saldo do seu bilhete a qualquer momento.
Nem tudo acontece no prato
Além da comida, o Chefs on Fire Cascais traz ainda música ao vivo, com nomes como Dino D’Santiago, Tiago Bettencourt, Milhanas, Rita Rocha e Tiago Nacarato & Orquestra Bamba Social. “Estou muito entusiasmado por ter de volta o Tiago Bettencourt que irá fechar o festival e a Rita Rocha foi uma escolha da minha filha mais nova. Ela tem sempre este papel. Há três anos escolheu o Dino d’Santiago, há dois a Nena e agora quis a Rita. Fico muito entusiasmado quando a vejo a ouvir os artistas”, refere Gonçalo Castel-Branco.
No sábado a animação começa pelas 15 horas, com o DJ Quim Albergaria, depois continua pelas 19 horas com o novo formato intimista, onde Dino d’Santiago se vai sentar à mesa para uma partilha de histórias e canções. O dia termina com o DJ set de Armanda.
O último dia começará a ser animado por Milhanas, pelas 15 horas, e continuará com Tiago Nacarato & Orquestra Bamba Social pelas 17 horas. Rita Rocha vai subir ao palco às 19 horas e Tiago Bettencourt encerra às 21 horas.
A organização está a contar com um total de cinco mil visitantes por dia (mais dois mil do que na edição anterior) e apesar da mudança de local da FIARTIL para o parque Marechal Carmona, o objetivo é que o Chefs on Fire mantenha o sentimento intimista e familiar.
Carregue na galeria para ver alguns dos pratos que vai poder provar no evento.







