Ao longo de duas décadas, a Quinta do Farta Pão afirmou-se como um dos refúgios gastronómicos de eleição em Cascais, sobretudo para quem não dispensa um cozido à portuguesa ou um cabrito assado servido como manda a tradição. Em dezembro de 2025, porém, o restaurante decidiu virar a página e iniciar uma nova etapa.
Reabriu com nova decoração e uma carta repensada com comida de conforto, onde quase todos os pratos são feitos a forno de lenha. A par desta renovação, surgem também as noites de fado, que querem dar outra animação às noites no espaço.
A história do restaurante leva-nos até 2004, quando duas famílias decidiram juntar-se e trazer um novo conceito à vila. Nessa altura, juntaram-se as famílias de Marcelo Gonçalves e do amigo José Pratas. Depois de vários anos de história e com a morte de Marcelo em 2021, estava na hora da segunda geração liderar a casa.
“Queríamos trazer um novo ar. Na restauração é essencial reinventar de várias formas e esta foi a que encontramos. Já tínhamos um um conceito focado nos pratos típicos portugueses e queríamos desviar-nos do óbvio. Por isso, agora reabrimos com uma nova decoração e carta, que procura trazer a essência familiar e de quinta. Não há conceito idêntico por aqui, que alicie tanto aos mais velhos, como aos mais novos”, começa por contar Diogo Gonçalves, um dos responsáveis pelo restaurante.
A restauração sempre fez parte da vida da família Gonçalves, o que influenciou o percurso de Diogo. “Desde os 14 anos que estou envolvido neste mundo. Todos os verões vinha trabalhar para o restaurantes de família e sabia que este era o meu caminho”. Além da Quinta do Farta Pão, a família detém ainda o restaurante Mar do Guincho, Meste Zé e Faroleiro.
Desde então, o seu percurso passou pela criação de novos conceitos, que depois entregava a outros proprietários. Foi neste contexto que nasceram o restaurante La Lombonera Steakhouse e o projeto Bike Bar Tours por Lisboa. “No entanto, quando o meu pai faleceu decidi que estava na hora de regressar a casa.”
Séculos antes de ser restaurante, a Quinta do Farta Pão era um dos conhecidos fornos de cal em Cascais, onde se fabricava cal e pão para a população da vila. O espaço mantém essa homenagem através do nome e da essência, agora reforçada com o forno a lenha.
O restaurante tem cerca de 120 lugares no interior, distribuídos por duas salas amplas. “Sentimos que hoje em dia há falta de fartura e de conforto na vida das pessoas e procuramos trazer isso”, remata Inês Gonçalves, também responsável, de 25 anos.
As remodelações demoraram cerca de três meses e parte do processo foi feita pela própria família. “A sala da lareira foi remodelada e adicionamos zonas verdes, bem como as casas de banho que agora seguem um estilo de estábulo. Queríamos trazer a sensação de estar em casa”, continua.
A decoração tem ainda um elemento distintivo. À entrada, as paredes estão cobertas por vários pratos pintados à mão. “Foi uma brincadeira que começou com um dos nossos primeiros clientes e ficou. No final da refeição trazíamos a conta e um prato para escrever. Foi um sucesso.”
O menu foi idealizado por Diogo Gonçalves com a ajuda do chef Victor Mion. “Sentimos que existe uma carência que nos pede para voltarmos atrás no tempo e decidimos tornar essa decisão o mais prática possível”, salienta Diogo. O próprio conceito de churrasco traz várias memórias afetivas, por isso a Quinta do Farta Pão optou pela forma mais antiga de grelhar: em forno de lenha.
As únicas propostas que se mantiveram na carta foram o cozido à portuguesa (25€/pessoa) agora disponível apenas ao sábado e domingo e o cabrito assado (26,5€/pessoa). “Todos os portugueses adoram comida de tasca, como por exemplo, um simples bife com cogumelos. Por isso, decidimos trazer essas propostas com um toque reconfortante, mas diferente.”
O foco é a carne e existe um pequeno armário de maturação onde a costeleta de novilho ou o entrecôte passam por um processo de 60 a 90 dias. A grande novidade são as tábuas de partilha, com carnes de novilho, porco preto e enchidos fumados no próprio restaurante. As opções servem entre duas a 12 pessoas e os valores rondam os 27,5€ por pessoa.
No menu pode começar com sopa de caldo verde (4€), ovos rotos à montanheira (12,75€), pica-pau de atum (15,75€) ou salada mediterrânea com filetes de cavala (14,25€). Nos pratos principais há bife da vazia (23,9€), naco de maminha argentina na brasa (19,5€), lagartos e plumas de porco (19€) ou bacalhau assado na brasa (24,75€).
Nas sobremesas encontra molotof com doce de ovos (5,25€), mousse de chocolate no prato (4,25€), toucinho do céu (6,75€), queijada à moda de Sintra (4,95€) e farófias caseiras (7,25€). Prometem ainda introduzir o tacho do dia com comida inspirada nas receitas da avó, com propostas que vão de favas com entrecosto a dobrada.
“No verão queremos ainda colocar o grelhador da rua e dar lugar às sardinhas assadas.” A 26 de fevereiro, a Quinta do Farta Pão apresenta outra novidade: noites de fado. “A ideia surgiu há mais de um ano, mas nunca tinha sido a altura ideal. Agora, decidimos parar de adiar.” O objetivo é ter duas noites por mês.
Carregue na galeria para conhecer o espaço renovado e novos protos da Quinta do Farta Pão, em Cascais.

LET'S ROCK






