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Usha: a nova casa eslava de Cascais está cheia de sabores de Leste

Inspirado nas infâncias dos donos, o menu junta pratos ucranianos, russos e soviéticos.

Uma massa fina, que embrulha um recheio e é cozida lentamente em água. A fórmula é quase universal: os italianos chamam-lhe raviolis, os asiáticos chamam-lhe dumplings e, na cozinha eslava, o nome é pelmeni. Estes bolinhos são a estrela da ementa do Usha, o novo restaurante de Cascais, aberto desde outubro, que quer dar a provar os sabores da Europa de Leste.

A história do Usha faz-nos recuar uma década, quando Maksim Krasyuk e Yulia Yushkevich moravam em Bali, na Indonésia, depois de abandonarem os respetivos países de origem. Durante a estadia, o casal fazia bolos caseiros e vendia-os ao domicílio. No entanto, com o nascimento do filho, começou a surgir a vontade de lhe mostrar os sabores das suas infâncias.

Como Maksim é russo e Yulia é ucraniana, decidiram juntar o melhor das duas culturas num novo projeto. O conceito cresceu e, atualmente, o casal já tem três restaurantes em Bali. Uma década depois, decidiram embarcar numa nova aventura e abriram um espaço em Cascais.

Apesar de o conceito ter sido criado por Maksim e Yulia, a unidade portuguesa está nas mãos de Alina Voinalovych, uma ucraniana de 36 anos que se mudou para Portugal em 2022. “Há dois tipos de imigração, quando escolhem sair e quando são obrigados a fazê-lo”, começa por explicar, enquanto comenta os motivos que a levaram a mudar-se para o nosso País. Alina vivia numa pequena cidade perto da fronteira com a Rússia e, devido à guerra na Ucrânia, foi uma das primeiras a ter de procurar uma nova casa, que acabou por encontrar em Cascais, com os dois filhos.

Estava a trabalhar num restaurante em Lisboa quando se cruzou com o casal. Assim que soube que iam abrir o Usha, juntou-se ao projeto. “É um conceito que fala sobre a casa que perdemos e é uma forma de nos voltarmos a conectar com a nossa cultura.” O restaurante abriu a 31 de outubro.

Os donos, Yulia Yushkevich e Maksim Krasyuk.

“A cultura, tanto na Ucrânia como na Rússia, acaba por ter muitas semelhanças, por causa do que foi a União Soviética”, conta. “É precisamente por isso que não somos um restaurante de comida ucraniana nem russa. É comida eslava”, conclui.

A decoração também acompanha esse espírito. O espaço foi pensado para fazer lembrar a casa das avós eslavas. Tem vários objetos tradicionais expostos e paredes pintadas à mão. “Queremos trazer a sensação e o conforto de estarmos numa casa de aldeia”. O restaurante tem 76 lugares, 32 no interior e o resto na esplanada.

Mas há algo que distingue o Usha dos típicos restaurantes portugueses. Apesar de haver café de especialidade e pastelaria de fabrico próprio, aqui a cozinha está sempre aberta. “Foi um choque cultural quando cheguei a Portugal e percebi que, se quiser uma refeição completa às 16 horas, é muito difícil encontrar um restaurante aberto. Na Ucrânia comemos sempre que nos apetece”. No Usha pode pedir o que quiser, quando quiser.

“Apesar de ser uma cozinha diferente, recebemos muitos portugueses. O feedback tem sido positivo. Acredito que vêm com a mente aberta e prontos para experimentar pratos que nunca tinham provado.”

A ementa foi criada com base nas memórias afetivas das infâncias dos donos. Tudo é feito de raiz e da forma mais tradicional possível, desde as massas frescas às sopas e à pastelaria. Para o pequeno-almoço, há panquecas de requeijão (12,5€), torrada com manteiga e doce (6,5€) e a panela da avó, uma combinação de ovos, pão e pimentão assado, com escolha de salmão, presunto, abacate, queijo ou chucrute (15,5€).

Nos aperitivos, pode provar shuba, uma salada fria com arenque temperado (11€), salada Olivier com frango fumado (10,5€), ou toucinho com rábano e pão de centeio (7,5€). Já nos pratos principais, há borscht de vaca (9€), uma sopa tradicional com várias camadas de arenque e beterraba, servida com nata azeda, molho de alho e pão brioche. Também pode escolher filé de frango à milanesa (13,5€) ou pimento recheado com carne e arroz (14€).

Os dumplings pelmeni (9,5€) são ideais para qualquer hora do dia. Podem ser recheados com carne de vaca e porco, ou até mesmo com gingas (10,5€).

Nas sobremesas há bolo de mel com groselha (8€), cheesecake de Lviv (5€), feito com queijo fresco e raspas de laranja com cobertura de chocolate negro, ou o bolo de Kyiv (8€), conhecido pelas camadas crocantes de merengue com nozes, recheadas com creme amanteigado de chocolate.

Além de comer no restaurante, pode levar para casa versões congeladas. Estão disponíveis online e no espaço físico.

Carregue na galeria para conhecer o novo restaurante eslávico em Cascais. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Joaquim Ereira 316rc
    2750-390 Cascais
  • HORÁRIO
  • Segunda e terça-feira das 9h às 16h
  • Quarta a domingo das 9h às 22h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Eslávico

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