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A história macabra de uma falsa grávida que acabou no corredor da morte é contada na Netflix

O documentário "Instinto Maternal" acompanha uma mulher que fingiu estar grávida durante cerca de 10 meses e matou uma amiga para lhe tirar o bebé do útero.

Taylor Parker fingiu uma gravidez durante quase dez meses. Comprou ecografias falsas, usou uma barriga de silicone, organizou uma festa de revelação do sexo do bebé e convenceu familiares, amigos e o namorado de que estava prestes a ser mãe. A mentira foi tão elaborada que ninguém imaginava que terminaria num dos crimes mais chocantes da última década nos Estados Unidos.

É essa história que a Netflix recupera em “Instinto Maternal”, o documentário que estreou a 12 de junho na plataforma e que é atualmente a produção mais vista em Portugal — e a terceira a nível mundial.

O caso aconteceu no Texas, em 2020. Taylor Rene Parker tinha então 27 anos e mantinha uma relação com Wade Griffin, um caçador de javalis selvagens. Segundo os procuradores, Parker acreditava que a gravidez era a única forma de impedir o fim da relação. O problema é que não estava grávida. Na verdade, já tinha sido submetida a uma histerectomia anos antes, o que a impedia de engravidar. Mesmo assim, continuou a alimentar a farsa durante meses.

À medida que a suposta data do parto se aproximava, as inconsistências começaram a acumular-se. Mas antes que a mentira fosse descoberta, Parker decidiu levar o plano ao extremo. A vítima foi Reagan Simmons-Hancock, uma jovem de 21 anos que estava grávida de cerca de 35 semanas. Não eram desconhecidas: uns meses antes antes, a criminosa tinha sido a fotógrafa do casamento de Reagan.

Na manhã de 9 de outubro de 2020, tal como revela o documentário, Taylor Parker dirigiu-se à casa da vítima, em New Boston, no Texas. De acordo com a acusação, atacou a jovem com violência extrema, recorrendo a objetos contundentes e a uma arma branca. Depois, com um bisturi que tinha levado de casa, retirou o bebé do ventre da mãe numa tentativa desesperada de apresentar a bebé como sua. Reagan morreu no local e Braxlynn Sage Hancock, a filha, foi levada por Parker, mas não sobreviveu.

 

O plano começou a ruir poucas horas depois. Nesse mesmo dia, um agente da polícia rodoviária do Texas mandou parar o carro conduzido por Parker devido à forma errática como circulava. Quando foi abordada, afirmou que tinha acabado de dar à luz dentro da viatura. A recém-nascida estava no carro e Parker insistiu que era sua filha — ainda tinha, inclusive, o cordão umbilical.

As suspeitas surgiram quase de imediato. No hospital para onde foi transportada, médicos e enfermeiros verificaram que não existiam sinais físicos compatíveis com um parto recente. A versão de Taylor começou a desfazer-se em poucas horas. Paralelamente, as autoridades descobriram o homicídio de Reagan Simmons-Hancock e ligaram rapidamente os dois acontecimentos.

A investigação revelou uma sucessão impressionante de mentiras. Além da gravidez falsa, Parker teria forjado documentos médicos, inventado histórias sobre heranças milionárias e construído uma identidade fictícia para impressionar o namorado e a comunidade onde vivia. O documentário da Netflix utiliza imagens policiais, gravações hospitalares e testemunhos de familiares para mostrar como a encenação foi mantida durante tantos meses.

O julgamento decorreu em 2022. A 9 de novembro, um júri do condado de Bowie considerou Taylor Parker culpada de homicídio qualificado. A sentença foi a pena de morte, tornando-a numa das poucas mulheres condenadas ao corredor da morte no Texas (e a mais nova no estado). Hoje, aos 33 anos, Taylor Parker continua presa.

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