A BBC estreou a 17 de fevereiro o documentário “The Darkest Web”, dedicado ao combate global contra os crimes de abuso sexual de menores praticados e disseminados através da Internet. A produção aborda vários casos, nomeadamente o de Nuno Melo, português condenado a 25 anos de prisão por crimes de extrema gravidade contra miúdos.
Dois dos protagonistas são Greg Squire e Pete Manning, investigadores especializados em cibercrime e pedofilia que há anos colaboraram com forças policiais de vários países no rastreio de abusadores que operam em redes fechadas online. Um deles esteve mesmo presente aquando da detenção de Nuno Melo, realizada pela Polícia Judiciária em Águeda, onde o suspeito vivia.
Durante anos, Nuno Melo operou sob o pseudónimo “Twinkle”, identidade com a qual administrava e participava ativamente em fóruns da chamada dark web, usados para a troca sistemática de imagens e vídeos de abuso sexual infantil. Em 2017, a PJ recebeu informação decisiva proveniente da polícia australiana, que tinha detido um indivíduo por crimes de pedofilia e apreendido material ligado a um fórum internacional chamado Baby Heart.
Entre os ficheiros recolhidos pelas autoridades estrangeiras surgiram mensagens escritas em português e referências técnicas a um endereço IP associado a uma operadora nacional. Estes elementos levantaram a suspeita de que o principal responsável pela rede seria português, levando à abertura de uma investigação formal em Portugal.

A partir desse momento, foi constituída uma task force internacional que integrou a Interpol, a Europol e a Homeland Security Investigations, especializada em crimes digitais. Um dos aspetos determinantes na identificação do suspeito foi a análise linguística: “Twinkle” escrevia em português europeu, recorrendo a expressões idiomáticas muito específicas — como “custou os olhos da cara” — difíceis de reproduzir com tradutores automáticos, o que reforçou a convicção dos investigadores quanto à sua origem.
Paralelamente, foram cruzados dados recolhidos através da ferramenta Trace an Object, da Europol, que permite identificar objetos, roupas e pormenores visuais presentes em imagens de abuso. Esse cruzamento, aliado à comparação com fotografias disponíveis em redes sociais, conduziu à identificação inequívoca de Nuno Melo.
A detenção ocorreu em junho de 2017. O suspeito foi apanhado em flagrante delito, encontrando-se nu na companhia de dois miúdos, também nus. Tinha então 27 anos e vivia com os pais. O material apreendido confirmou não só o seu envolvimento direto em abusos, como também o papel central que desempenhava numa das maiores plataformas internacionais de pornografia infantil.
Em tribunal, o Ministério Público acusou Nuno Melo de 583 crimes de abuso sexual infantil e 73.577 crimes de pornografia de menores. A sentença foi dada pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, em dezembro de 2019, culminando na condenação à pena máxima de 25 anos de prisão. Atualmente, Nuno Melo cumpre pena no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Sintra.

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