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Filme de “Peaky Blinders” já estreou. Mas antes há 3 episódios que deve rever

“Peaky Blinders: O Homem Imortal" marca o regresso da história da família Shelby. Chegou à Netflix esta sexta-feira, 20 de março.

Durante seis temporadas, lançadas entre 2013 e 2022, o público acompanhou a história de um grupo de criminosos de Birmingham, Inglaterra, no início do século XX, liderado por Thomas Shelby. O sucesso ditou que a série (que estreou na BBC e ganhou dimensão global com a ida para a Netflix) ganhasse uma continuação e aqui está ela: o filme de “Peaky Blinders” chegou esta sexta-feira, 20 de março, à plataforma de streaming. No entanto, antes de começar, há três episódios que deverá rever. Pelo menos é isso que defende o próprio criador da série.

Depois de quatro anos de espera desde o final da sexta temporada, “Peaky Blinders: O Homem Imortal” marca o regresso da história da família Shelby, conhecida por tentar ganhar dinheiro através de apostas ilegais, contrabando e confrontos violentos com rivais, impondo o seu poder enquanto lidava com a constante pressão das autoridades.

A narrativa volta a centrar-se em Tommy (interpretado por Cillian Murphy), que regressa de um exílio autoimposto durante a Segunda Guerra Mundial e é forçado a enfrentar o passado e o próprio legado. A história dá um salto temporal de vários anos em relação ao final da série, que termina em 1934. Estamos agora na década de 1940, num contexto marcado pelo conflito global e pelos bombardeamentos em Birmingham. Quando o encontramos, Tommy está afastado do poder, isolado e atormentado pelos erros do passado, enquanto tenta viver longe da violência que marcou a sua vida. 

No entanto, a cidade volta a tornar-se um foco de tensão e há uma nova geração a assumir o controlo. O seu filho, Duke Shelby (interpretado por Barry Keoghan), lidera agora uma versão mais imprevisível e radical do gangue, envolvendo-se em alianças perigosas com simpatizantes nazis. É esse cenário que obriga Tommy a sair do isolamento e regressar à ação. Pelo caminho, surgem novas personagens, como Kaulo (Rebecca Ferguson), uma figura misteriosa ligada ao passado da família, e Beckett (Tim Roth), um influente aliado do fascismo que tenta manipular os acontecimentos. No centro de tudo está uma última decisão: salvar o legado dos Shelby ou deixá-lo desaparecer de vez.

As primeiras críticas internacionais já deixaram claro que este não é um regresso qualquer. Como a NiT já tinha contado, o filme está a dividir opiniões: há quem elogie o estilo e a ambição, mas também quem sinta que não consegue superar o impacto do final da série.

A “Variety” descreve-o como um projeto que mantém “uma narrativa robusta e valores de produção fortes”, mas que funciona mais como uma continuação do que como algo verdadeiramente novo. Já o “The Guardian” fala num “regresso brutal” e “intenso e sombrio”, enquanto o “The Times” destaca o lado mais introspectivo da personagem, comparando-o a “O Padrinho: Parte III”. O “Consequence” considera que a história tenta fazer demasiado em pouco tempo, como se “uma temporada inteira tivesse sido comprimida em cerca de duas horas”.

É precisamente por isso que Steven Knight, criador e argumentista da série, deixou uma recomendação curiosa. À Netflix, revelou quais são os três episódios “mais importantes” da série para rever antes de se dedicar ao filme: uma espécie de guia rápido para perceber melhor o que está em jogo.

O primeiro é logo o episódio de estreia da série, da primeira temporada. Segundo Knight, é ali que tudo começa e onde se percebe verdadeiramente quem é Tommy Shelby. “Este episódio define logo o que é toda a série. Apresenta o Tommy Shelby de uma forma muito clara, sem margem para dúvidas sobre quem ele é”, explicou à Netflix. “Vemo-lo a cavalo num cenário industrial, sem palavras: é só o olhar, a atitude, a forma como está. Diz muito sobre esta família, o que fazem e porque são tão temidos.”

A segunda escolha é o último episódio da segunda temporada, um dos momentos mais tensos de toda a série. É aquele em que Tommy parece estar prestes a morrer, com uma arma apontada e a própria cova já cavada. “Há três homens à volta dele com armas, ele está desarmado e a cova já está feita. Pede apenas tempo para fumar um cigarro”, descreveu Knight. “Nesse momento, ele revê a vida, os arrependimentos, aquilo que gostava de ter feito. Como espectadores, pensamos que é o fim.” Mas não é. “O que esse momento nos mostra é um homem que não sabe se quer viver ou morrer e é aí que percebemos que ele escolhe viver.”

Por fim, recomenda o último episódio da sexta temporada, que fecha a história televisiva e prepara o terreno para o filme. É aqui que Tommy enfrenta diretamente o seu passado e toma uma decisão diferente daquela que tomaria noutra fase da vida. “É um episódio que resolve muita coisa. No final, ele confronta alguém que podia matar e decide não o fazer”, explicou. “O Tommy de antes teria disparado. Em vez disso, guarda a arma, volta para o cavalo e afasta-se.” O detalhe não é inocente: “Ele vai num cavalo branco, ao contrário do cavalo preto do início. É um contraste entre esses dois momentos e talvez nos faça acreditar que ele mudou.”

A ideia é simples: estes três episódios funcionam quase como um resumo emocional da jornada de Tommy Shelby e ajudam a perceber melhor o peso das escolhas que ele enfrenta no filme.

Se já viu tudo, pode ser uma boa desculpa para revisitar alguns dos momentos mais marcantes da série. Por outro lado, é um atalho rápido antes de entrar neste novo capítulo que, mais do que uma continuação, parece funcionar como um grande epílogo da história dos Shelby.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos filmes que chegam às plataformas de streaming ao longo de março.

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