A arte manifesta-se das mais variadas formas, da música à pintura ou escultura, mas há sempre um elemento em comum: o poder de contar uma história. Em Cascais, os leitores da NiC elegeram Rita Andrade como a melhor artista nos Prémios NiC 2025.
Aos 27 anos, o seu percurso profissional é marcado pelo compromisso com a arte e a política. Desde 2020 que trabalha num estúdio próprio, em Alcabideche, onde cria as suas peças, em exibição num showroom.
Até agora, o seu trabalho tem sido influenciado pelas experiências de campo, nomeadamente em territórios como a Palestina e as Honduras. “A cima de tudo, quero que as pessoas saiam da zona de conforto”, começa por explicar. “Vivemos num mundo onde a rapidez é a chave, desde a comida à informação, e isso tornou as pessoas preguiçosas. O que faço é trazer assuntos importantes através da arte. É uma forma de protesto pacífico e de resistência”.
No início de cada ano, Rita tem por hábito traçar objetivos. “Em 2025 decidi que tinha de pintar 12 quadros”. Apesar de não ter conseguido, o ano trouxe várias surpresas que não estava à espera. “Apercebi-me que não podemos contabilizar a arte, principalmente porque, em 2025, tive vários momentos que me tiraram tempo para criar. Um deles foi o facto de ter sido uma das artistas convidadas a participar na Festa do Avante”.
Para Rita, foi espantoso ver como milhares de pessoas se deslocaram à procura da sua arte, num espaço onde estabeleceu vários contatos. “Foi onde apresentei o meu trabalho sobre a Palestina e estava no meio de pessoas que, quero acreditar, partilham dos mesmos valores. Foi arrebatador”.
Um final de ano com uma surpresa especial
Mas nem tudo foi positivo. 2025 foi também o ano em que começou a procurar ajuda para os seus problemas de saúde mental. “Acredito que todos precisamos de terapia, mas era algo que andava a adiar. Sabia que 2025 ia ser um ano de grandes mudanças e sinto que esta foi a principal”.
No entanto, as boas notícias chegaram novamente com a nomeação para os Prémios NiC. “Não estava nada à espera. No final do ano estava um pouco em baixo com o facto de não estar a conseguir criar, mas quando fui nomeada senti que podia respirar de alívio. Foi quase como uma validação do trabalho que tenho feito”, confessa.
“Mais do que ganhar, foi muito importante para o meu coração. Graças a isso, sinto que entrei o ano com muita mais força”. Neste momento, Rita continua 100 por cento dedicada ao seu estúdio. O objetivo é simples: criar um espaço onde visitantes, sejam apreciadores de arte, colecionadores ou aspirantes a artistas, possam sentir-se bem-vindos e inspirados.
“Mais do que ser a vencedora deste prémio, é importante dar palco a jovens artistas e isso dá-me alguma esperança de que vale a pena continuar a lutar. Falo por mim e por todos os artistas emergentes”.
Para 2026 não há grandes planos, apenas a promessa a si mesma que vai continuar a persistir. “Espero que o prémio me traga mais oportunidades em Cascais. Gostava de expor mais na minha terra e espero conseguir com esta distinção”. Além disso, Rita está a pensar fazer a primeira residência artística para conhecer novas pessoas e realidades fora de Portugal.
Carregue na galeria para conhecer melhor o trabalho de Rita Andrade.

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