“Estamos juntos só pelo facto de o querermos fazer.” A frase resume bem o espírito do regresso dos Scissor Sisters, banda que marcou os anos 2000 com concertos exuberantes, provocadores e sempre imprevisíveis. Depois de mais de uma década afastados dos palcos, o grupo prepara-se para uma estreia em Cascais, integrada no Festival Ageas Cool Jazz, com espetáculo marcado para 29 de julho.
A história da banda começa em Nova Iorque, em 2001, e junta Jake Shears, Amber Martin, Bridget Barkan, Babydaddy (Scott Hoffman), Del Marquis e Randy Real. Rapidamente se tornaram conhecidos pelo cruzamento de disco, pop e rock, pela estética teatral e por concertos que nunca seguem um guião óbvio. O álbum de estreia, lançado em 2004, trouxe temas como “Ta-Dah” e “I Don’t Feel Like Dancin”, este último com coautoria de Elton John, e ajudou a consolidar uma carreira marcada por mensagens de aceitação e apoio à comunidade queer.
Em 2012, depois de quatro álbuns, decidiram fazer uma pausa sem prazo definido. Cada elemento seguiu projetos próprios e o tempo foi passando até que, quase sem planeamento, perceberam que já tinham passado 20 anos desde o primeiro disco.
O aniversário acabou por ser “uma boa desculpa” para se voltarem a juntar. O regresso aos palcos aconteceu em 2025 e trouxe menos pressão do que esperavam, precisamente por não existir uma obrigação externa. “Desta vez, estamos juntos só porque queremos”, explicam à NiC, numa entrevista que antecipa a passagem do grupo norte-americano pela cidade, lá mais para o verão.
Ao fim de uma longa pausa de 12 anos, porque é que decidiram voltar?
O último verão foi muito divertido e voltarmos a subir a palco com músicas que já não tocávamos há anos foi muito agradável. Quando nos separamos, todos estivemos concentrados nos seus próprios projetos e focamo-nos em coisas diferentes. Quando demos por isso já tinham passado 20 anos desde o nosso primeiro álbum. Esse aniversário não foi a razão principal, mas foi uma boa desculpa para voltarmos a estar juntos. No fundo, sentimos todos que este era o tempo certo para o fazermos. Apesar de não parecer, este regresso traz consigo menos pressão do que esperávamos. Desta vez, estamos juntos só pelo facto de o queremos fazer. Claro que há sempre algum nervosismo associado, principalmente porque não sabíamos como seriam as nossas atuações, uma vez que não tocávamos desta forma há muitos anos. Óbvio que sentimos a pressão para seremos tão bons como uma vez fomos, mas como conhecíamos as nossas músicas e estávamos tão ansiosos por voltar, já sabíamos que íamos fazer um ótimo trabalho.
Este verão farão uma estreia absoluta em Cascais. Que expectativas têm para este festival?
Para nós é sempre interessante estar no alinhamento de um festival e sempre adorámos tocar em Portugal. É uma energia contagiante, as pessoas são muito calorosas e acaba por tornar toda a experiência memorável e divertida para todos. Em Cascais esperamos que seja assim mesmo: bem recebidos pelo público e uma noite divertida.
Qual foi a maior loucura que vos aconteceu em concerto em toda a vossa carreira?
Há vários anos, o Jake achou ótima ideia sair do placo e começar a rebolar na lama com apenas uma toalha vestida. Parecia um autentico porco feliz na lama. Fora essa história caricata há muitos momentos de nudez espontânea e seios à mostra nos nossos concertos protagonizadas principalmente pela Amber. Já a Bridget, em pleno concerto decidiu beijar várias pessoas do público e ainda comeu um gelado de um fã. Também já nos apercebemos que temos uma forte tendência para complicações ligadas à meteorologia. Já demos concertos com grandes tempestades e adoramos sempre, porque dá sempre aquele toque ainda mais dramático.
Como é que a banda procura trazer o equilíbrio entre a nostalgia dos seus maiores êxitos e o continuar a surpreender novos fãs?
Adoramos o desafio de tocar para pessoas que nunca nos viram. É fascinante ver a reação do público quando não sabe o que estar à espera e para nós traz um prazer muito grande. Sentimos que os Scissor Sisters passam pelas gerações e é engraçado como cada vez mais vemos pessoas mais novas nos concertos. No entanto, como não temos novas músicas há algum tempo, é essencial continuarmos a inovar e isso fazemos através de novos arranjos musicais. Por exemplo, trocamos os membros da banda que cantam certas músicas e tentamos trazer sempre uma energia diferente ao tema. Queremos captar a essência do que fazíamos e não replicar. Para nós, é uma forma de manter o concerto sempre fresco. Cremos que a expetativa do público é que nos mantenhamos leais a nós mesmos e para isso, a dinâmica é o elemento chave.
Para quem não tem ideia de quem são os Scissor Sisters, o que podem esperar deste espetáculo?
Podem esperar um concerto muito teatral e dramático, embora com músicas que já são conhecidas há vários anos. Todas as nossas atuações são excêntricas e fora de controlo e por isso, queremos sempre continuar a surpreender. É uma jornada que começa e termina em locais completamente opostos. O nosso principal objetivo para esta tour é contar uma história. Além disso, temos duas meninas (Amber Martin e Bridget Barkan) que são extremamente imprevisíveis e nem nós sabemos o que contar. No fundo será uma festa para todos com muita música divertida. Podemos dizer que podem esperar um concerto que acontece só uma vez na vida e estamos muito entusiasmados por estar novamente em Portugal. No ano passado, vimos o nosso set encurtado e por isso queremo-nos finalmente redimir.
Carregue na galeria para ver fotografias do excêntrico e hilariante concerto no Festival Kalorama em 2025.

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