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Estas sementes que provavelmente tem em casa podem ajudá-lo a prevenir enxaquecas

A ideia tornou-se viral nas redes sociais graças à quantidade de magnésio que contém numa mão cheia.

Nos últimos anos, vários tipos de sementes ganharam espaço na alimentação de quem quer seguir um regime mais saudável. As de abóbora, por exemplo, são incluídas em saladas, iogurtes, papas de aveia, e muitos mais. Além de saborosas e sacientes, há ainda outro benefício apontado: podem ajudar quem sofre de enxaquecas. Pelo menos é isso que andam a dizer nas redes sociais nos últimos meses, onde foram publicados dezenas de vídeos sobre este tema.

As sementes de abóbora estão entre os alimentos mais ricos em magnésio: uma porção de 30 gramas fornece cerca de 150 miligramas de mineral. O possível benefício está, então, ligado a este nutriente. No entanto, “não há nenhum estudo que tenha testado diretamente sementes de abóbora em pessoas com enxaqueca”, explica à NiT Raquel Gil-Gouveia, neurologista e especialista em enxaquecas.

O interesse por este alimento surge porque “o magnésio participa no controlo da excitabilidade dos neurónios e dos vasos sanguíneos”, refere. A relação entre este mineral e a enxaqueca tem sido estudada com maior detalhe através da suplementação. Segundo a especialista, “o magnésio em suplemento é provavelmente eficaz na prevenção da enxaqueca”. As recomendações internacionais recorrem a doses que chegam aos 600 miligramas por dia, valores que devem ser acompanhados por um médico.

Já num inquérito realizado nos Estados Unidos em 2022, as pessoas que apresentavam um consumo mais elevado de magnésio tinham cerca de 24 por cento menos de probabilidade de ter enxaqueca. Raquel Gil-Gouveia alerta, porém, que este tipo de resultado mostra uma associação e não prova que o magnésio seja responsável pela diferença.

Se comer cerca de 30 gramas de sementes de abóbora por dia, vai receber 150 miligramas de magnésio, uma quantidade que pode contribuir para atingir as necessidades diárias deste mineral. No entanto, fica abaixo dos valores utilizados nos estudos de suplementação para a prevenção da enxaqueca.

Além do magnésio, a mesma quantidade de sementes de abóbora fornece cerca de 160 calorias e 8,5 gramas de proteína vegetal. Também contêm zinco, ferro, fósforo, manganês, gorduras insaturadas, vitamina E, fitoesteróis e triptofano. 

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Camila Moll | Nutricionista (@nutri.camimoll)

A diferença entre a semente e a polpa de abóbora é significativa no que diz respeito aos mineiras. Por 100 gramas, as sementes têm mais de 40 vezes a quantidade de magnésio e mais de 20 vezes a quantidade de zinco da polpa. Já a parte laranja do vegetal destaca-se pelo betacaroteno, que o organismo converte em vitamina A. “O ideal é aproveitar a abóbora toda”, diz a médica.

Se quer começar a acrescentar as sementes à alimentação, pode usá-las em saladas, sopas, cremes, iogurtes, papas de aveia, pão ou granola. Também podem ser consumidas como um snack rápido. O melhor é escolher versões sem sal e evitar temperaturas de torra demasiado elevadas, que podem degradar parte das gorduras e dos antioxidantes. Nos supermercados, encontra embalagens por menos de 2€.

Há, contudo, alguns cuidados a ter. Este produto é calórico, pelo que a quantidade pode ser relevante para quem está a controlar o peso. Pessoas com doença renal crónica devem falar com o médico antes de aumentar o consumo, devido ao teor de fósforo e potássio. 

Na alimentação de quem tem enxaquecas, o magnésio não é o único nutriente estudado. O peixe gordo, como sardinha, cavala, salmão e arenque, é outra das opções apontadas pela especialista devido ao seu teor de ómega-3. Num estudo de 2021, uma dieta rica nestes alimentos esteve associada a cerca de dois dias de dor a menos por mês. Quando a alimentação incluía mais peixe e menos óleos vegetais ricos em ómega-6, como os de girassol e milho, a diferença chegou a cerca de quatro dias.

“Em Portugal temos a sorte de ter sardinha e cavala boas e acessíveis”, sublinha a neurologista. Vegetais de folha verde-escura, leguminosas, frutos secos e cereais integrais são outras fontes alimentares de magnésio.

Mais importante do que procurar um único alimento é manter uma rotina alimentar regular. O jejum prolongado é um dos desencadeantes mais frequentes das crises, e a investigação tem procurado perceber por que razão isso acontece.

Estudos em animais indicam que as hormonas relacionadas com a fome e a regulação do açúcar no sangue podem alterar o funcionamento de zonas cerebrais envolvidas na enxaqueca. “Comer a horas regulares, sem longos períodos de jejum, protege o cérebro”, explica Raquel Gil-Gouveia.

Leia o artigo da NiT para saber como pode usar o botox para combater as enxaquecas.

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