A vida a dois tem os seus desafios. Sabemos que a rotina familiar pode levar a pequenos desentendimentos entre os casais e que há particularidades de uma parte que, por vezes, irrita a outra. Uma questão que continua a afetar muitos casais é, por exemplo, o ressonar de um dos parceiros.
Afinal, não há nada pior do que, após um dia cansativo de trabalho, estarmos a tentar adormecer sem conseguir, devido ao ruído constante ao nosso lado. Há até quem decida dormir em quartos separados por este motivo. Para impedir que muitos casamentos cheguem ao fim, tornou-se viral nas redes sociais, especialmente no TikTok, um vídeo com um truque que promete parar ajudar a diminuir ou parar com o ronco.
Trata-se de um treino bastante simples, que pode ir fazendo ao longo do dia, seja no trabalho ou no ginásio, por exemplo. Só tem de inclinar a cabeça para trás, encostar a língua ao céu da boca (atrás dos dentes), sugar e fazer um estalido, repetindo o movimento 30 vezes por dia.
No entanto, será que resulta? Antes de nos debruçarmos sobre os resultados desta proposta, é preciso analisar porque é que há pessoas que ressonam? “O ressonar é um ruído produzido pela vibração do céu da boca a vibrar e a bater na parede posterior da nossa garganta”, começa por explicar o pneumologista e médico do sono Tiago Sá, à NiT. Em condições normais, esta estrutura é firme, mas torna-se mais mole quando relaxa durante o sono.
Existem vários fatores que aumentam a probabilidade de uma pessoa produzir este barulho durante o sono. A obesidade é um dos principais. Segundo o especialista, quando existe excesso de gordura, sobretudo na zona do pescoço, o espaço para a passagem de ar diminui, o que facilita a vibração dos tecidos.
A posição em que se dorme também tem um papel importante. Ficar de barriga para cima favorece o ressonar porque “a própria gravidade faz cair a língua e o maxilar para trás”, reduzindo ainda mais o espaço das vias aéreas. O consumo de álcool é igualmente relevante, já que tem um efeito relaxante sobre os músculos — e quanto mais relaxados estiverem, com mais facilidade vão colapsar e levar a este ato.
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Apesar de ser frequente, o ressonar não é, por si só, uma doença. “É relativamente comum e não tem de estar associado a patologias como a apneia do sono”, afirma Tiago Sá. No entanto, alerta que muitas vezes pode ser um sintoma dessa condição e pode estar associado a outras alterações do sono. Em termos de prevalência, é mais comum nos homens. No entanto, quando as mulheres chegam à menopausa, a incidência torna-se semelhante.
Será que o truque funciona mesmo?
Quanto ao truque viral, a resposta do médico é clara: há, sim, fundamento científico por detrás do exercício. O movimento de sucção da língua faz parte de um conjunto de exercícios usados na terapia miofuncional, frequentemente aplicada em pessoas com apneia de sono.
“São exercícios de fortalecimento dos músculos da garganta”, explica Tiago Sá, acrescentando que, quando estes músculos estão mais firmes, “é mais difícil de fechar” a via aérea durante o sono. O objetivo é tornar os tecidos menos propícios ao colapso que origina o ressonar.
Quanto à frequência, a recomendação passa pela regularidade. Os 30 estalidos diários são uma boa opção para iniciar, mas quantos mais fizer por dia, melhor. Os exercícios também podem ser feitos em diferentes horários e contextos do dia. “Quanto mais fizer, mais vai notar as diferenças”, garante.
Além deste truque específico, todas as estratégias que visam fortalecer a musculatura da faringe tendem a ajudar. De acordo com Tiago Sá, “tudo o que são técnicas ligadas ao fortalecimento da faringe vão reduzir o ressono”. Podem não ser suficientes em todos os casos — sobretudo quando existe apneia do sono moderada ou grave —, mas “são sempre uma abordagem positiva e complementar”.
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