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Quem é o enigmático artista de Cascais que espalha azulejos pelas paredes das cidades

O artista cascalense usa ironia e crítica social em peças feitas à mão que já chegaram a Lisboa, Londres e Madrid.

Foi através da tradição e da crítica social que DaCosta encontrou nos azulejos uma nova forma de contar histórias. O artista cascalense recuperou esta linguagem que cruza arte e documentação, num formato onde mistura ironia, humor e temas da atualidade. Hoje, as obras espalham-se por paredes e espaços públicos, não só em Cascais, mas também noutras cidades do mundo.

Como muitos artistas, DaCosta começou a desenhar ainda em miúdo. Era o passatempo dos tempos livres e aquilo que fazia durante as aulas. Aos 11 anos começou com papel e caneta e, já perto dos 20, passou para outros formatos, dos grafítis à pintura com tinta acrílica e óleo. “Sempre fui autodidata e por isso foi um processo muito natural”, conta o artista cascalense de 35 anos.

Apesar de a arte ocupar uma parte importante da sua vida, seguir esse caminho nunca foi um plano. “Na altura não queria saber da arte, o que é irónico, mas verdade. Queria fazer outra coisa.” Depois do 12.º ano, começou a trabalhar na área da produção de eventos, onde esteve durante cinco anos. “Apesar de não querer saber da arte, a nível profissional, nunca parei de desenhar.” Aos poucos, começou a partilhar os trabalhos nas redes sociais e percebeu que poderia transformar aquilo numa profissão. “Não houve nenhum clique, os pedidos foram surgindo e quando consegui sustentar-me com a arte, despedi-me.”

Embora trabalhe como artista há uma década, foi apenas há quatro anos que nasceu um dos projetos mais particulares do seu percurso: espalhar azulejos pelas paredes de Cascais. “Nunca tinha pintado azulejos, mas por ser um material que vi a minha vida toda, nasceu uma curiosidade natural.” A partir daí, começou um processo de tentativa e erro até aprender todas as etapas de criação de um azulejo.

 
 
 
 
 
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“O azulejo sempre foi uma linguagem pública que contava histórias e andava de mãos dadas com acontecimentos históricos. Nunca o vi apenas como elemento decorativo e queria voltar a dar-lhe esse sentido. Penso que o azulejo estava perdido nesse aspeto.” Os trabalhos de DaCosta retratam temas da atualidade, de forma direta ou indireta, quase sempre com ironia e humor. “Tento suavizar os temas, embora nem sempre seja possível.”

Todos os azulejos são feitos à mão, do desenho à cozedura. Depois de concluídos, a ideia sempre foi levá-los para a rua. “Os azulejos pertencem à rua, é onde os encontramos naturalmente, por isso fazia sentido que fosse assim. A verdade é que as pessoas raramente vão a museus ou exposições e, desta forma, a arte passa a fazer parte daquela realidade.”

O projeto acaba também por lançar uma reflexão sobre as novas gerações. Para o artista, existe um diálogo entre a fragilidade e a permanência do azulejo e a forma como os mais novos esperam que tudo seja imediato e rápido. “Quando há algo permanente, ninguém repara.”

Por isso, DaCosta procura colocar os azulejos em ruas e locais ligados à mensagem que quer transmitir. Tudo começou em Cascais, passou por Lisboa e Sintra e já chegou a cidades como Londres e Madrid. “O interessante deste projeto é ver como a arte convive com o espaço. Os azulejos podem durar 200 anos ou dois dias, dependendo do ambiente. É interessante perceber se ficam danificados ou caem, porque a comunidade fala por si.”

Apesar de muitas das obras poderem ser encontradas na rua, também é possível encomendar peças e azulejos personalizados. Os pedidos podem ser feitos através do site ou das redes sociais. O valor depende de orçamento.

Carregue na galeria para conhecer as obras de DaCosta pelas ruas e em exibições.

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