Nos últimos dias, não se falava noutra coisa nas redes sociais em Portugal. Um alegado novo produto foi anunciado esta segunda-feira, 9 de fevereiro, e causou polémica. O RelationChip, como foi batizado, tem por base dois microchips subcutâneos que prometiam revolucionar as relações amorosas através de uma monitorização contínua do parceiro.
Estes chips dariam acesso à localização um do outro, às senhas e aos contactos, além de também se poder saber com quem (e onde) o parceiro estava ao longo do dia e noite. Foram várias as figuras públicas que reagiram às imagens, espalhadas por Lisboa, indignadas com a novidade.
Esta quinta-feira, dia 12, foi anunciado que se tratava, afinal, de uma nova campanha de sensibilização da Associação de Apoio à Vítima (APAV), que revelou que o propósito da iniciativa era “expor e confrontar a normalização de comportamentos de controlo nos relacionamentos entre jovens”.
Nas redes sociais, o “produto” chegou a ser amplamente partilhado, incluindo por nomes como a criadora de conteúdos Ana Markl, que chegou a compará-lo com um episódio da série de “Black Mirror”, pela atriz Inês Castelo Branco e pela ativista Paula Cosme Pinto.
A grande maioria das reações nas redes sociais incluíam utilizadores revoltados com a suposta novidade. Mas esta quinta-feira, após a revelação da APAV, a conversa tem sido outra.
“A campanha foi lançada com o objetivo de confrontar indiretamente comportamentos normalizados e fomentar a reflexão através de uma inversão de perspetiva”, explicou João Lázaro, presidente da APAV. “Aquilo que parecia aberrante num chip é, na verdade, o que muitos casais fazem diariamente e normalizam.”
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Nos últimos quatro anos, a associação diz ter apoiado 3.968 vítimas de violência durante e após as relações, sendo que 29 por cento dos casos envolveram jovens menores de 25 anos, que sofreram pelo menos um tipo de violência — incluindo controlo, violência psicológica, perseguição e violência sexual.
O controlo foi identificado como o “tipo de violência mais normalizado e frequentemente interpretado como demonstração de amor e confiança”, avança.
Por esta razão, com a nova campanha, o presidente da APAV defende que é fundamental “clarificar que comportamentos de controlo não são provas de amor, mas sinais de violência no namoro.”
A iniciativa RelationChip foi feita em parceria com as agências do Grupo Omnicom — BBDO, OmnicomPRGroup e OMD e a produtora LOOKS:GOOD. Além de ter invadido as redes sociais, foram também instalados mupis por Lisboa e até criado um site para o projeto, que agora já conta com a assinatura da APAV.

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