“Tudo isto está a ser uma recolha de histórias tragicómicas muito engraçadas”, disse Nuno Markl. Desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) na passada quinta-feira, 20 de novembro, o humorista tem mantido os seguidores das redes sociais atualizados, de forma leve e divertida, sobre a evolução do seu estado de saúde e partilhado alguns dos episódios que lhe aconteceram desde a saída de casa na ambulância aos momentos passados no Hospital Francisco Xavier, onde esteve internado, sendo depois transferido para o Hospital Egas Moniz.
Alguns dos momentos mais marcantes foram contados em conversa com a equipa das “Manhãs da Comercial”, esta quarta-feira, dia 26, durante uma versão especial da rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão” em direto, onde revelou que o susto aconteceu enquanto se encontrava sentado na sanita.
Além de agradecer a preocupação dos portugueses, elogiou o sangue frio do filho, Pedro, de 16 anos, que ligou para o 112, mesmo quando o pai lhe disse que não era necessário. Markl reforçou também o importante papel dos bombeiros da Parede, no concelho de Cascais, onde o locutor vive, que foram os primeiros a chegar. Falou, em específico de Vítor Hugo Penim, socorrista a quem agradeceu todo o cuidado.
Também Ana Galvão, ex-mulher do humorista e mãe de Pedro, agradeceu ao profissional, em direto na Rádio Renascença, na segunda-feira, dia 24, apontando a forma calma e sensata com que falou com o filho numa situação tão delicada.
À NiT, o profissional de 40 anos recorda o momento em que a equipa foi ativada pela central de emergência para socorrer “um homem com um mal-estar súbito”. “À chegada, entrámos na casa e o senhor Nuno encontrava-se no chão, junto à casa de banho. Como é uma referência, reconheci-o logo ao olhar para ele”, começa por contar.
Desde o início, o momento foi marcado por alguns risos. “Disse-nos que achava que era um enfarte, porque andava cansado. Expliquei que, devido aos sintomas, não podia ser isso e rimos. O trabalho dele é ser humorista, então esteve sempre bem-disposto e a repetir que o nosso trabalho é uma coisa de outro mundo. Foi assim até ao hospital.”
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Antes da chegada da viatura à unidade hospitalar, Vítor Hugo foi confrontado com outras duas missões. Primeiro, falar com os vizinhos curiosos e, depois, acalmar o filho do comunicador.
Nada disto, porém, é novo para o bombeiro, que faz parte da instituição dos Bombeiros da Parede desde 1996, na altura apenas com 10 anos. Passou a ser profissional da casa em 2022 e, atualmente, é chefe de uma equipa de primeiros socorros e tripulante do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
“Calma, é uma dor de dentes”
Durante toda a situação, e no meio do aparato, que levou vários vizinhos da figura pública a juntar-se à volta da residência, o bombeiro optou por usar o sentido de humor para minimizar a confusão. “Calma, é uma dor de dentes”, terá dito em resposta à preocupação dos curiosos.
“No meu dia a dia, durante qualquer emergência médica, as pessoas entram em estado de aflição e tentamos aligeirar os momentos. Existe esta tendência para fazerem questões e costumo brincar, dizer que é uma picada de abelha ou até uma unha encravada”, explica. “Uma coisa é dar informações a familiares, outra é a pessoas de fora.”
Neste caso, explica que o comentário, também destacado por Markl em direto na Rádio Comercial, “ocorreu para preservar a privacidade” do comentador. “Foi algo que saiu espontaneamente. Devido à necessidade de sigilo profissional, foi uma forma prática que arranjei para acalmar e afastar as pessoas.”
O que também não ficou esquecido, nesta intervenção, foi a abordagem sensível de Vítor Hugo junto do filho do humorista. “Quando isto aconteceu o Pedro estava sozinho com o Nuno, e esta pessoa dos bombeiros acalmou muitíssimo o meu filho, tranquilizou-o e acabou por falar com ele de uma forma sensata e serena”, contou a radialista Ana Galvão, ex-mulher da vítima, na segunda-feira, 24 de novembro, na rádio Renascença.
Pedro terá ignorado o facto o pai dizer que não era necessário ligar para o 112 e chamou mesmo o serviço de emergência. O jovem, “decidiu ser rebelde e foi a primeira vez que eu gostei da rebeldia do meu adolescente”, acrescentou Galvão. “Os médicos têm frisado nestes dias o quão importante foi ter acontecido tão rápido. A rapidez é crucial nestes casos”.
“Tentei escolher algumas palavras apropriadas que acalmassem os dois. A sociedade não está preparada para estas situações, muito menos um adolescente. Quando percebi que foi ele a ligar, disse que tinha feito muito bem e que era importante ter detetado o alvo, mesmo que não fosse o que o pai queria.”
De seguida, tentou explicar que “são coisas que acontecem”. “Referi que é como uma febre ou uma gripe. Aparece, tem os seus cuidados, mas é algo reversível e, por isso, o pai iria ficar bem. Notei que estava assustado e era importante fazê-lo ficar mais confortável, com palavras aconchegantes.”
Acima de tudo, fez com que Pedro se tornasse um aliado naquele momento. “Pedi-lhe que preparasse algumas coisas, como um pijama, algumas roupas e calçado. Arranjou-me um telefone e um carregador”, continua o socorrista.
“E ainda me forneceu o contacto da mãe, que pediu para esperar uns minutos, porque estava perto.” A atitude do jovem é precisamente aquela que, segundo o bombeiro profissional, todos devem ter numa situação destas. “Se alguém não tem formação, o mais prático é sempre ligar para o 112. Do outro lado da linha estará um técnico ou médico que fará algumas perguntas importantes.”
E acrescenta: “Quando cheguei, o Pedro também sublinhou que fez tudo o que lhe pediram nessa chamada. Perguntaram-lhe se o pai estava a respirar, se estava deitado ou caído, por exemplo. Recomendaram-lhe que metesse uma almofada por baixo e o tentasse colocar de lado.”
Sobre o reconhecimento recebido pela equipa dos Bombeiros da Parede, Vítor Hugo conclui que, se não fosse uma figura pública, os cuidados teriam sido todos os mesmos. “Tentamos sempre acompanhar, seja à base de tecnologia ou de formação, com o máximo de profissionalismo. O que fazemos é dar o melhor socorro e ajudar o melhor possível nas situações que nos são indicadas.”

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