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Obras para condomínio de luxo na Quinta dos Ingleses suspensas novamente

É o resultado de mais uma contestação contra o avanço da construção do projeto que irá ocupar "o pulmão verde de Cascais".
Em defesa da natureza.

Ainda não é desta que as obras da Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, vão avançar. A Associação SOS Quinta dos Ingleses interpôs uma providência cautelar para travar a construção do condomínio de luxo para ali previsto. O embargo dura desde quarta-feira, 19 de junho, altura em que o tribunal ordenou a “suspensão imediata”, como avança o “Jornal de Notícias”. Esta é apenas mais uma contestação das várias que a população tem feito para tentar impedir a obra e preservar o ambiente natural da zona. 

O projeto urbanístico da empresa de construção Alves Ribeiro prevê a edificação de 850 apartamentos, que chegam a ter sete andares acima do solo e cinco em cave, bem como um hotel com apartamentos turísticos e um centro comercial com área de escritórios.

A operação de loteamento prevê que mais de metade dos 51 hectares da área — considerada o último pulmão da orla costeira de Cascais — passe a ser artificializada, com apenas oito hectares para a criação de um parque verde urbano. O megaprojeto de urbanização junto ao mar tem sido contestado por várias associações ambientalistas e sociais do concelho, nomeadamente pelos movimentos SOS Quinta dos Ingleses e Alvorada da Floresta, que estão “na luta contra a destruição da Quinta dos Ingleses e da orla costeira de Carcavelos”.

As associações querem, desta forma, que os promotores desistam do projeto. E para o efeito, além da providência cautelar, entregaram uma petição na Assembleia da República, com mais de nove mil assinaturas. Mas, do outro lado, os responsáveis pela obra querem levá-la avante e, segundo o mesmo jornal, podem contestar a suspensão até di 3 de julho.

A construção da urbanização na Quinta dos Ingleses tem vindo a arrastar-se desde os anos 60, com sucessivos projetos a serem discutidos e adiados. O terreno foi vendido à empresa Savelos, em 1972, e aprovado pela autarquia em 1982, mas não chegou a avançar, devido ao chumbo da Assembleia Municipal de Cascais, por parte de todos os partidos com assento, em 2001.

Em 2014, contudo, a Assembleia aprovou o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que permite a construção no terreno da Quinta dos Ingleses, que fica junto à marginal e corresponde a uma área de 54 hectares. Em 2021, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, disse que o município não tem capacidade para travar o projeto, uma vez que isso implicaria uma “indemnização incomportável”, já que os promotores “têm direito adquirido sobre aqueles terrenos”.

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